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Carta de Aleluia para Irmã Grace Brouch - 27 de setembro de 2017

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Grace Brouch webComo o sol do dia mais quente de setembro revelou a grandeza da criação de Deus em todo o seu esplendor, nossa Irmã, Grace Brouch, completou seu esperado transitus desta vida para a vida eterna. Coberta na Luz, no Amor e na Paz de Cristo, sua passagem na tarde de sexta-feira, 22 de setembro de 2017, deu testemunho visível da Epístola do dia, bem como o projeto de sua vida: 

"Procurem justiça, devoção, fé, amor, paciência e gentileza.
Combati um bom combate da fé e
conquista a vida eterna para qual foste chamado" (1Tm 6, 12).

Como sonhadora, irmã, professora, enfermeira, missionária e companheira na caminhada da vida franciscana, Irmã Gracie "fez o que era dela para fazer" e encorajava os outros de fazer a mesma coisa.

Em 25 de janeiro de 1931, Louise (Brummel) e John Brouch, acolheram carinhosamente sua nova menininha. A segunda de cinco filhos, Jean foi batizada e criada em uma família cheia de fé. Todo mundo participava na vida da Paróquia da Anunciação em Aurora, Illinois. Ensinada pelas Irmãs de São Francisco de Maria Imaculada que trabalharam na escola paroquial, Jean foi inspirada pelo seu testemunho da vida religiosa e do carisma franciscano particular de Joliet.

No entanto, eram as enfermeiras do Hospital de São José/Misericórdia que capturaram sua imaginação como enfermeira quando, como jovem adolescente trabalhando no hospital, ela testemunhou a gentileza e compaixão delas. Como Jean concluiu seu primeiro ano de estudos no Colégio Madonna com as Irmãs Escolares de São Francisco, seu desejo de se tornar uma religiosa foi aprofundado e intensificado. A Segunda Guerra Mundial chegou ao fim e, com o apoio de sua família, ela entrou a Academia de São Francisco como aspirante em setembro de 1945. No ano seguinte, ela entrou no postulantado das Irmãs Franciscanas de Joliet.

No dia 12 de agosto de 1947, Jean tornou-se noviça e recebeu o nome religioso, Irmã Mary Grace, um nome que lhe serviu muito bem. Dois anos depois, ela fez sua profissão de votos. Logo depois, ela foi enviada em missão para a escola paroquial do Sagrado Coração em Chicago por dois anos e depois por mais quatro anos na escola paroquial do Sagrado Coração em Hubbard Woods, Illinois. Durante esse período, ela também completou o bacharelado na Universidade de São Francisco. Em 1957, a convite da Madre Borromeo, Irmã Grace retornou a Joliet. Seu grande sonho e desejo constante de se tornar uma enfermeira foi afirmado e logo em seguida ela começou seus estudos formais para Escola de Enermagem do Hospital São José com uma área de especialização em enfermagem psiquiátrica. Nos anos que se seguiram, Irmã Grace cuidou das irmãs na enfermaria da Casa Mãe e depois, foi uma das primeiras irmãs a se juntar à equipe de OLA - Nossa Senhora dos Anjos - quando abriu pela primeira vez em janeiro de 1961.

A Irmã Grace amava muito as irmãs e ela adorou seu ministério. No entanto, em 1972, a Irmã Francine Zeller lhe apresentou uma nova e inesperada chamada. Uma enfermeira era desesperadamente necessária para a missão brasileira da Congregação em Santa Helena de Goiás. Confiando na graça de Deus, ela respondeu generosamente: "Sim, Senhor! Eu vou!" Dentro de um ano, ela chegou ao Brasil, começou a estudar português no Rio de Janeiro e logo se encontrou em Santa Helena, bem como nas cidades vizinhas de Maurilândia e Castelandia. Durante os próximos dezessete anos, Irmã Graça trabalhava em diversos ministerios na Diocese de Jatai, bem como na Congregação - como enfermeira, professora, mentora de jovens enfermeiras, assistente pastoral, diretora de creche infantil, administradora de uma residência para idosos doentes e deficientes e como um membro do Conselho Regional. Mas para Irmã Grace, a vida evangélica era muito mais do que o ministério. Também era sobre a fidelidade à oração e à vivencia fraterna, vivida em comunidade a que se dedicava alegremente e de todo o coração.

Em 1990, uma oportunidade ministerial, nova e desafiadora, se apresentou a Irmã de Grace. Despertou uma paixão renovada e uma preocupação intensa pelo bem-estar e cuidado de saúde das crianças, especialmente as que estavam à margem da sociedade. Com um zeloso espírito missionário que tornaria a Madre Alfred orgulhosa, assumiu um novo papel de liderança na Arquidiocese de Goiânia como Diretora da Pastoral das Crianças nos municípios locais e em outros lugares no estado de Goiás. Com o passar dos anos, Irmã Grace se mudou para outros ministérios e comunidades de fé, onde continuou a inspirar inúmeras pessoas, jovens e velhas, religiosas e leigos, privilegiadas e pobres, com seu espírito gentil e franciscano. Quando ela partiu do Brasil em junho de 2013, depois de quarenta anos de serviço missionário dedicado, Irmã Grace, como São Francisco de Assis, escolheu retornar a Nossa Senhora dos Anjos, cercada pelas irmãs e companheiras com quem ela começou sua caminhada franciscana setenta e dois anos antes.

Sempre uma especialista em quebra-cabeças, as peças finais da quebra-cabeça metaforica - que foi a própria vida dela - começaram a se juntar durante os meses de agosto e setembro. Ao longo deste tempo, as visitas carinhosas, preciosas e finais de irmãs, membros da família, irmãs, associados, bem-amados e cuidadores, ajudaram ela a completar sua quebra-cabeça - cheia das maravilhas e memórias de oitenta e seis anos de vida. Se ouvimos atentamente os ecos da Eternidade, talvez possamos ouvir as palmas das mãos de Irmã Gracie e sua voz alegre proclamando: "Muito bem, eu terminei!" Assim, então, juntemos nossas vozes aos do Céu, como dizemos com ternura e com corações gratos: Aleluia! Aleluia!

Por Irmãs Franciscanas de Maria Imaculada